6 de março de 2014

Moments - 34º Capítulo: Just have faith


 Coma? Como assim entrou em coma? Meu desespero só aumentava a cada segundo e as lentas batidas do coração de Julie ressoando pelo quarto através daquele aparelho só fazia eu me sentir ainda pior.

- Preciso que você se retire – disse o médico, me tirando de minha súbita dor. – Preciso que fique somente ela no quarto durante um tempo. Caso contrário poderá ser perigoso para a saúde dela. Avisarei quando ela puder receber visita novamente.

Cabisbaixo e ainda chorando, saí, relutante. Sabia que era melhor para Julie e não queria fazer nada que pudesse prejudicá-la ainda mais.

- Como ela tá? – perguntou Andy, o rosto vermelho tomado pela dor e o desespero de não ter notícias até o momento. – Como minha irmã tá?
- Ela... Ela tá em coma – respondi, sussurrando. – O organismo dela não tá aceitando a medula da Nathalie.
- Mas ela vai ficar bem, não vai? – insistiu ele. – Por favor, me diz que vai!
- É o que eu espero – respondi, abraçando meu amigo. Toda a dor que ele também sentia me atingiu com força. Compartilhávamos a mesma dor de um sentimento em comum pela mesma pessoa, mas representado de formas diferentes: o amor de irmão e o amor simples e sem definição.



Como não podíamos dormir no corredor e ninguém podia entrar no quarto, voltamos para o hotel, todos tristes e chorando. Mas eu sequer consegui dormir. Mal fechei o olho. Minha preocupação era tanta que nem o sono me vencia. Já estava amanhecendo quando deixei o sono me levar, e acabei dormindo até o meio dia do domingo, só acordando ao ouvir meu celular tocando.

- Sr. Payne? – chamou uma voz masculina vinda de um número desconhecido assim que atendi. – É o dr. Paolo – médico da Julie, acrescentei rápida e mentalmente. – Gostaria de saber se o senhor ou algum parente da paciente podiam vir até o hospital o mais rápido possível.
- Claro – respondi rapidamente, já me levantando da cama. – Eu mesmo vou. Chegarei em 15 minutos, talvez menos – acrescentei, desligando em seguida.

Menos de 15 minutos depois eu estava passando afobado e atordoado pela porta do quarto de Julie. Ela continuava na mesma posição que eu vira na noite anterior, com a diferença que o médico estava anotando algo em sua prancheta, e não mais mexendo em seu braço.

- Dr. Paolo? – chamei, fazendo com que ele se virasse para mim.
- Boa tarde, rapaz – disse ele, assentindo para mim. – Tenho ótimas notícias. O organismo de Julie começou a aceitar bem a medula de Nathalie, mas é um processo lento. Felizmente o coma, embora seja algo ruim, veio em boa hora. A partir do momento em que ela entrou em coma, seu organismo começou a aceitar, aos poucos, a medula recebida. Creio que em algumas semanas ela vai estar novinha em folha.
- Isso é ótimo! – disse, quase gritando de felicidade. – Mas, e o coma? Quanto tempo ela vai ficar assim?


- É difícil dizer. Pode ser que ela acorde em poucos minutos, como ela pode acordar daqui alguns anos. O coma nunca é previsível. Mas, você quer um conselho, meu jovem? – perguntou ele, me fazendo consentir. – Se você ama mesmo essa garota como eu já percebi que ama, ore. Confie em Deus e espere. Só tenha fé – ele sorriu pra mim, me dando um tapinha no ombro antes de sair do quarto.

“Só tenha fé”. Foi o que ela me disse essa semana. “Só tenha fé, está bem? Por você, por mim e por nós”. Eu vou ter fé. Eu tenho fé. É claro que ela vai sair dessa o quanto antes e, bem, eu vou estar esperando.


Liguei para Andy, avisando-o que Julie estava melhor e que, agora, estava aceitando bem a medula da prima. Em poucos minutos ele estava no hospital.

- Cadê os meninos? – perguntei assim que ele chegou.
- Eu contei a notícia, mas achei melhor eles ficarem no hotel – respondeu ele, dando de ombros. – Como ela tá?
- Tá bem melhor – respondi. – Mas ainda em coma. Eu tenho uma puta sorte, não tenho? – perguntei, rindo. – Sempre que eu consigo a garota, acontece algo...
- Vou começar a afastá-la de você, porque pelo amor de Deus – brincou Andy, sentando ao meu lado no chão, perto da cama de Julie. – Sinto que ela vai acordar logo – concluiu ele, sorrindo.


- Eu espero por isso – desabafei, soltando um suspiro.


Já era tarde quando Andy foi embora. Eu resolvi ficar ali. Aliás, eu fiquei por ali durante três dias, dormindo ao lado dela; permanecendo ao seu lado, esperando que ela apenas desse um sinal de que escutava quando eu falava com ela. Só saia de seu lado por menos de 10 minutos, quando Andy me levava roupa para tomar um banho.


Eu não falava direito com os meninos, eu não via as meninas. O único com quem eu conversava era o dr. Paolo, para saber como Julie estava melhorando. O noticiário nos anunciava todos os dias, o dia todo. Sorte que o hospital não permitia câmeras ali. Boatos de que eu reencontrara Julie estavam se tornando frequentes – e todos estavam certos. Mas eu não dava nenhum depoimento. Eu não falava absolutamente nada.
Não sabia mais como os meninos estavam, ou se estavam bem. Eles pararam, aos poucos, de ir no hospital. Apenas Andy ia, para ver a irmã, mas ficava pouco. E eu sequer perguntava de meus amigos. Eu nem sabia se eles ainda estavam em Glasgow. Provavelmente não. E por que estariam? Eles vieram por mim e eu os troquei por Julie. Não me arrependo de ficar ao lado dela. Me arrependo apenas de sequer perguntar sobre eles.
Deus! Que tipo de amigo era eu? Eu nem perguntava como Andy estava se sentindo! A sra. Samuels nem entrava no quarto. Olhava a filha apenas pela porta. Ninguém conseguia ficar perto de mim. Ninguém queria se aproximar de mim. Eu estava irreconhecível. Um pobre ser tolo e ingrato. Tolo por não dar atenção a quem quer que viesse ver Julie. E ingrato por não dar atenção a meus amigos, que vieram para Glasgow por mim, e agora poderiam nem estar mais na cidade.
Quando dei por mim, estava chorando. Ao lado de Julie, sentado na poltrona de visitas. Chorava feito um bebê. Estava agoniado e atordoado por conta dos pensamentos, medos e preocupações que me rondavam. Senti um toque em meu ombro e olhei esperançoso para Julie, esperando que fosse ela. Mas não era. Era a sra. Samuels.

- O que está acontecendo, querido? – perguntou ela docemente. – Você não tem andado bem.
- Só to preocupado – respondi, tentando secar as lágrimas discretamente.


- Vá descansar um pouco, está bem? Eu fico com ela até você voltar – acabei hesitando por um minuto, mas percebi que ela tinha todo o direito de ficar um momento a sós com Julie. Mais direito do que eu. E então consenti, me levantando.
- Vou para o hotel – avisei. – Se precisar de mim – concluí, vendo-a sorrir serena para mim.

O carro que eu alugara quando cheguei na cidade estava estacionado no fundo do hospital, exatamente como eu havia deixado cerca de uma semana atrás. Entrei, ligando o rádio em seguida. A ironia é que estava tocando Half a Heart. Era a minha música. A que descrevia exata e perfeitamente como eu me sentia longe de Julie.
Dirigi com rapidez até o hotel e subi correndo para o quarto. Notei que a mala de Andy não estava mais ali, mas a de Niall permanecia intacta.

- Dizem que quem é vivo sempre aparece – brincou Niall e eu notei que ele estava deitado na cama. – Estão certos!


- Sim – respondi, rindo. – Estão.
- O que está procurando? – perguntou ele, notando que eu procurava a mala de Andy por cada milímetro do quarto. – A mala de Andy? – assenti. – Ele tá em outro quarto. Sua mala está com ele, também – completou. Eu sequer tinha reparado que a minha própria mala havia “sumido”.
- Qual o motivo?
- Começa com M... – disse ele, corando.
- Não – disse, rindo.
- Sim – respondeu ele, rindo comigo. – Ela chega hoje.
- O que nossa morena misteriosa faz na cidade?
- Vale dizer que estava de passagem? – deduziu ele, me fazendo rir ainda mais. – Digamos que estamos bem.


- Bem? – insisti, com um olhar malicioso.
- Bem até demais – ele riu. – Nada oficial, mas, não sei. Já fazem dois meses que estamos conversando.
- Tudo isso? – perguntei, arregalando os olhos. Não parecia tanto tempo assim. Mas, parando para fazer as contas, fazia quase um mês que eu estava em Glasgow.
- Pois é – ele sorriu, de cabeça baixa. – Nós ficamos antes de eu deixar o Brasil, você sabe – assenti, uma vez que ele havia me contado. – Eu só não pensei que sentiria tanto a falta dela – ele concluiu, levantando a cabeça novamente. Percebi que o clichê de “olhos brilhando” acontecia com Niall.
- Vai fazer como o Harry? – perguntei, sorrindo como um bobo.
- Não exatamente – ele riu mais uma vez. – Vou fazer melhor. A minha é morena.


- Sua? – provoquei. – Sua o quê?
- Namorada, oras! – respondeu ele, e então começou a rir. De nervoso? De vergonha? Talvez. Mas, talvez, de pura felicidade.

Niall me informou meu novo quarto e então saí. Passei no quarto dos meninos antes, dando um abraço em cada um e combinando o “jantar” mais tarde. Como eu sentia falta desses palhaços!
Andy estava sentado na cama, lendo, de modo que se assustou quando ouviu a porta abrindo. Seu susto foi ainda maior por ver quem era.

- Mas que milagre é esse? – perguntou ele, ainda incrédulo.
- Sua mãe está com Julie. Resolvi dar um tempo para elas e, bem, para mim – respondi, sem graça. Sentei na cama ao lado da de Andy e encarei-o por alguns instantes. – Fui um babaca esses dias, não fui?
- Em relação a Julie ou o quê? – perguntou ele, com um leve sorriso nos lábios.


- Em relação a vocês.
- É – respondeu ele. – Foi sim. Mas eu te perdoo. E os garotos também já perdoaram.
- Como sabe?
- Olhe para trás – respondeu, rindo.

Nem precisei olhar para trás para saber que os meninos estavam todos lá, com suas respectivas namoradas – e futuras, no caso de Mariane, já que ela acabara de chegar. Todos correram para o quarto gritando, me pegaram no colo e me arrastaram até a sala de jogos do hotel. Como eu disse, senti falta desses palhaços!



E eu demorei mais uma vez, não foi? Ai, caramba!
Não vou ficar falando que tá difícil postar e tal, embora seja a verdade. Dessa vez, além de tudo isso, tive uns problemas pessoais e minha mãe não tá muito bem. Nada que alguns muitos remédios não curem, mas, enfim...
Como vocês sabem, a fic tá no fim, então vou tentar agilizar o máximo que eu puder para escrever. Até porque, tem muita fic divônica para começar. Não escolhemos nada ainda, mas, olha, li cada capítulo perfeito que mds! Estou tão ansiosa hahahahaha

Girls, não consegui os 20 comentários no último, então vou pedir 15 nesse, pode ser? :3

19 comentários:

  1. Awnnnnnnnnn gif do Jack e Finn *---* que perfeito, fofo e feliz esse capítulo! Tomara que a Julie fique bem :)) poxaa melhoras pra sua mãe! Bjss
    Isa

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  2. tava c sdd. Daddy só tava sendo protetor, mas o legal é q ele percebeu o erro :) Ameiiiiiiiiiiiii <3 Melhoras p sua mãe tá? Evely :)*

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  3. Este comentário foi removido pelo autor.

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  4. Ah Gabi vc merece ps 15 e muito mais.
    Ta perfeito, alias como sempre, pena que ta quase no final e que a Julie ainda não saio do como :(
    A e que bom que o Lee resolveu sair um pouco do hospital né
    Esperando o próximo cap

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  5. Aiii chore chorei e chorei. #emocionada
    eu também estava sentindo falta desses palhaços.
    Está perfeito como sempre.
    Continua <333

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  6. Ainn Gabi taaa mt perfeitaA a fic

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  7. a fic tá perfeita gabi, mal posso esperar pelo próximo ♥

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  8. Cara voce escreve super bem eu amo ler todas suas fic's !
    Esperendo anciosa o procimo capituloo! Xoxo Jack <3

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  9. uhul mais um cap de Moments ja estava com saudades dessa fic eu ameiii esse cap pena que esta acabando :( continua logo tá e continua taken também beijos
    Xx Vicky

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  10. Como posso descrever meus sentimentos por essa fic? Só sei que vou chorar muito quando ela acabar :'( Capítulo perfeito! Continua Logo!

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  11. Continua logo. Quero muuuito saber o q vai acontecer com a julie. E tbm como vai ser o pedido do Niall. Bjs!

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  12. Essa fic me enche de feels. Pena que nada dura pra sempre,mas to ansiosa pra saber como essa fic acaba. Continua logo,beijos!

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  13. Amei mas qyem ta on?

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  14. Cara que cap divooooo! Comecei a chorar aqui, to sentimental kkkkk na vdd é sua fic pfta q me deixa assim pfta
    Hey vc é cristã (evangélica)? Pq parece Rçrç
    Continuaaaaa pfta
    Bjs da Leh ❤❤

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  15. Ta simplesment divo lianda ...
    Cntinua.. please
    ps. Liah

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  16. amorrrrrrrr que demora :( eu espero que esteja tudo bem!! estou muito ansiosa para o prox cap e amo essa fic <3333333

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